domingo, 31 de maio de 2009

O incrível universo das baladas

Hoje tenho uma festa então, em homenagem, vou escrever sobre isso...Um dia minha mãe me perguntou por que eu não vou muito para a balada. Eu disse que é porque eu não gosto, mas como ela não ficou satisfeita com a minha resposta achei melhor explicar. A explicação foi, mais ou menos, assim:

Antigamente, quando você ia com suas amiguinhas pra boate (ainda não chamava balada), saía de casa umas 21h certo? Bom, agora você sai de casa à 01h da manhã. Então, esse é o primeiro motivo.
Primeiro eu preciso fazer um esforço enorme pra conseguir COMEÇAR a me arrumar tão tarde... tentando manter os olhos aberto. Não é fácil.
Aliás, dentro deste tópico, está aí mais um problema. Antigamente você usava uma calça social e uma blusa bonita para ir pra boate. Agora, ai de você se tiver com mais que meio metro de tecido enrolado no corpo... E o que fazemos nas noites de frio?? Passamos frio. Não existe outra solução. Bom, você pode nascer biscate, já que todo mundo sabe que "biscate não sente frio".
Voltando ao assunto, depois de tentar encontrar um equilíbrio entre usar pouca roupa, parecer sexy e não vulgar e, principalmente, não criar motivos pra ter que se confessar no domingo, vamos para a maquiagem. Mais uns 30 minutos no mínimo.
As meninas que estiverem lendo isso devem ter reparado que eu pulei toda a parte de arrumar o cabelo. Isso porque meu cabelo é liso, mas eu tenho muita consideração por vocês que passam metade do dia tentando alisar os cachos.
Maquiagem feita, roupa escolhida, cabelo arrumado. Vamos pra balada? NÃO. Ainda tem o esquenta.
Até agora não entendi qual o propósito do esquenta.
Primeiro achei que era pra reunir os amigos e ter uma chance de conversar antes de chegar à balada, já que lá é impossível (mais um motivo que explicarei melhor mais pra frente), mas depois vi que não era isso. As pessoas falam pouco e bebem muito, igual em uma balada.
Depois pensei que poderia ser pra economizar, já que uma vodka (a dose) na balada custa R$25,00 enquanto uma garrafa de Smirnoff no supermercado sai por R$15, mas a galera continua consumindo descontroladamente ao chegar na balada.
Por fim, pensei que podia ser pra dar uma enrolada, ninguém gosta de ser abre-festa, mas com isso acabamos chegando sempre tarde e pegando uma fila enorme.
Então, como podem ver, ainda não entendi.
Saindo do esquenta vamos pra balada.
Hoooooras de fila. Depois do empurra-empurra, alguns momentos de alívio enquanto você dá seus dados para as recepcionistas. Daí, mais empurra-empurra.
É nesse esquema você vai passar o resto da noite.
De repente te dá sede, você então você vira para sua amiga e tenta gritar mais alto que a música avisando que vai para o bar:
- "(Tuntz tuntz tuntz) Anaaaaa!! (Tuntz tuntz tuntz)"
- "Oiiiiiii" (Tuntz tuntz tuntz Tuntz).
- "Eu to com sede.... (Tuntz tuntz tuntz Tuntz) acho que vou pegar alguma coisa pra beber!"
- (Tuntz tuntz tuntz Tuntz) "O que????"
- "Vou pegar alguma coisa pra beber!!" (Tuntz tuntz tuntz Tuntz)
- "Nãooooo escuteiiii!"
Aí, percebendo que é impossível se comunicar, você começa a fazer mímica. Alguns minutos depois, achando que sua amiga entendeu o que você estava tentando falar, você vai em direção ao bar.
Você vai andando, tentando manter o ritmo da música enquanto desvia de cigarros acesos, copos de bebida, cotovelos e mãos-bobas.
Finalmente chega ao bar e o que encontra é uma muralha da china. Incrível como as pessoas mais altas da balada sempre estão no bar....
Assim que encontra uma aberturazinha se coloca no lugar e dá graças a Deus por não ter comido aquela sobremesa no jantar, senão nunca caberia naquele espacinho. Logo que encosta no balcão percebe que está todo molhado de sabe-lá-o-que então tenta manter uma distância segura.
Mas, assim como você estava fazendo até pouco tempo, tem alguém atrás de você tentando pedir uma bebida e te empurra pra frente, você empurra de novo pra trás, e fica nesse vai e vem até conseguir chamar a atenção de algum barman.
Finalmente o barman te vê, e faz um leve movimento com a sobrancelha como que dizendo: vai querer o que? De novo você grita, mas agora sua voz já está rouca de sede e por inalar alguns muitos litros de fumaça de cigarro (e afins):
- (Tuntz tuntz tuntz Tuntz) "Um energééééético"
- "Vooodka com energééético??" (Tuntz tuntz tuntz Tuntz)
- "Nãããão, só o energético" (Tuntz tuntz tuntz Tuntz)
- (Tuntz tuntz tuntz Tuntz) "Normal ou light?" (Tuntz tuntz tuntz Tuntz)
- "Red Bull"
- "Não!!! Normal ou liiiiight?"
- (Tuntz tuntz tuntz Tuntz) "Ah!! Normal" (Tuntz tuntz tuntz Tuntz)
Ele pega um energético e começa a colocar num copo com gelo. Nada contra, mas prefiro o canudinho. Agora, vai tentar explicar que você quer um canudo. Você tenta fazer uma mímica tentando imitar o formato do canudo enquanto pronuncia sem voz a palavra canuuudo.
Perdi a conta de vezes que a minha mímica deu outras idéias para as pessoas em volta. Confesso que o gesto de "canudo" parece muito com o do membro fálico mais conhecido como "pênis".
Assim, normalmente pego o copo com gelo e não reclamo. É bem mais fácil.
De volta com suas amigas e uma lata de energético depois, dá aquela vontade de ir ao banheiro.
Se é no começo da balada tudo bem, as meninas no banheiro estão concentradas no espelho e sua capacidade de equilíbrio ainda não está comprometida.
Por outro lado, se já está um pouco tarde....Banheiro feminino é sempre um inferno, gente dando gritinhos agudos: "Oiiiiii Amigaaaaaaaaaaaaaa!!!", "Annnnnaaaaa!!!", "Uhuuuuuu, essa balada tá animaaaaal!!!".
Depois das 3a.m., a maioria das meninas está realmente usando o banheiro, principalmente porque a não consegue mais se ver no espelho.
Bom, aí leva em média 10 minutos por cabeça.
Quando sua vez finalmente chega, você entra no cubículo e tenta encontrar um lugar pra pendurar a bolça. Não tem. Então, com uma mão segura a bolsa enquanto abre a calça/ levanta a saia. Feito isso, damos aquela agachada básica (desde pequena nossas mães sempre avisam pra não sentar no vaso). Aí tem um problema, se estamos de saia as duas mãos estão ocupadas (uma segurando a bolsa e a outra levantando a saia) e não temos como nos apoiar pra manter o equilíbrio.
Precariamente e rezando pra não desequilibrar, terminamos o que fomos fazer.
Depois disso, mais uma maratona pra voltar pra sua turma, onde ficamos no Tuntz Tuntz Tuntz Tuntz até cansar.
Quando, finalmente, você decide ir embora, para fechar com chave de ouro ainda tem uma fila enorme, um monte de bêbados tentando te agarrar (pode ser a última chance da noite deles) e algumas brigas no caminho.
Pois bem, acho que deu para dar uma idéia superficial da maravilha que é o universo das baladas.Mal posso esperar para sexta à noite... aonde vamos???